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A qualidade da objectiva determina a qualidade da fotografia e tal como em outras áreas, os fotógrafos requerem objectivas específicas para o seu trabalho e a fotografia de arquitectura não é diferente, sendo necessária objectivas com boas características de reprodução, um ângulo de visão adequado e a capacidade de descentramento.

  • Características

Na fotografia de arquitectura, precisamos de garantir que a totalidade do assunto se encontra com nitidez. Por este motivo é frequente fotografar-se com uma abertura de diafragma menor (maior número f/stop) e assim aumentar a profundidade de campo e garantirmos que temos vários planos bem focados e com definição/leitura. Isto permite reduzir os efeitos de vinhetagem, aberração cromática e a falta de nitidez nas extremidades do enquadramento. Um dos factores que afecta negativamente a qualidade da imagem, é a difracção, que é resultado da escolha de valores de f-stop maiores e como tal é importante determinarmos o f-stop ideal para cada objectiva.

Objectivas de distância focal fixa (prime) devido à sua construção mais simples (menos elementos ópticos) produzem geralmente melhor qualidade de imagem que as objectivas de distância focal variável (zoom). Quer se escolha uma objectiva prime ou zoom, interessa sim, é que esta produza imagens de qualidade.

  • Distância Focal

Diferentes distâncias focais permitem, além de diferentes ângulos de visão, diferentes pontos de vista. A escolha da distância focal afecta igualmente o aspecto visual do nosso assunto e a profundidade aparente.

Devido à capacidade de cobrirem um ângulo de visão maior, o recurso a objectivas grande angulares (distância focal equivalente ou inferior a 35mm) é mais comum na fotografia de arquitectura do que uma objectiva normal ou tele-objectiva. O recurso a objectivas grande angulares deve-se mais a uma necessidade, pois uma parte da fotografia de arquitectura (principalmente em interiores e determinadas tipologias urbanas) é geralmente realizada em espaços confinados. A mais do que provável presença de elementos nos arredores do nosso assunto que interferem na composição, obriga-nos a aproximarmo-nos do assunto e consequentemente usar uma objectiva grande angular.

A distorção da perspectiva criada por estas distâncias focais, em particular abaixo dos 20mm, pode criar alguma tensão visual e alterar a percepção do nosso assunto/espaço, com este a parecer maior do que é na realidade e objectos mais próximos, para além de deformados, terem uma aparência maior que os mais distantes. No entanto o cliente/arquitecto, para efeitos de registo, poderá não ter problemas em recorrermos de distâncias focais abaixo dos 20mm.

Estas aberrações são solucionadas através de uma escolha cautelosa da posição da câmera e pela alteração da disposição de objectos presentes no espaço ou, em ultimo recurso, pela sua remoção.

Distâncias focais entre os 20 e 35mm são mais úteis para fotografias de exteriores, ao passo que em interiores requer-se distâncias focais que variem entre os 14 e os 24mm.

Objectivas como a Nikon 16-35mm f/4 e a Nikon 14-24 f/2.8 são alternativas viáveis a quem não pretenda/possa investir em objectivas tilt/shift.

Uma objectiva normal (≈50mm) e/ou uma tele-objectiva (≈70-300mm) também deverão fazer parte do nosso kit para fotografar detalhes de edifícios, que de outra forma seriam difíceis de fotografar, ou a uma maior distância quando existem obstáculos mecânicos ou geográficos.

Pela possibilidade de podermos fotografar a uma maior distância, o uso de uma tele-objectiva permite-nos também controlar a distorção da perspectiva. Quanto maior for a distância focal, maior será a compressão óptica, ou seja, os elementos presentes numa imagem irão parecer mais próximos entre si sendo possível criar, justaposições entre os elementos que de outra forma seriam vistos como mais afastados/isolados.

Para além da abertura do diafragma, a distância focal é outro dos factores a ter em conta na profundidade de campo e menor esta será quanto maior for a distância focal de uma objectiva. Esta menor profundidade de campo, pode por vezes, ser usada para isolar e/ou destacar elementos no nosso enquadramento.

  • Objectivas Descentráveis (Tilt/Shift)

Estas objectivas são extraordinariamente úteis na fotografia de arquitectura. Imitam os movimentos das câmeras técnicas e dispõem de um mecanismo que possibilita que o eixo óptico se desloque na horizontal, na vertical e na diagonal.

Área projectada de uma objectiva usual/habitual & Área projectada de uma objectiva descentrável

Os descentramentos/ajustes de perpectiva (Shift) realizados permitem assim evitar a convergência das linhas verticais. Facilitam a composição e dão mais liberdade na escolha do ponto de vista e enquadramento. Permitem também a criação de panoramas e assim aumentar o ângulo de visão e a resolução.

Marcas como a Samyang, Schneider Kreuznach, Canon e Nikon produzem objectivas descentráveis para câmeras de 35mm (full frame), mas só estas últimas duas têm uma oferta maior de distâncias focais. A Canon oferece uma variedade de objectivas descentráveis a começar em: 17mm f/4, 24mm f/3.5, 45mm f/2.8, 50mm f/2.8, 90mm f/2.8 e 135mm f/4. A Nikon por sua vez oferece: 19mm f/4, 24mm f/3.5, 45mm f/2.8 e 85mm f/2.8.

Utilizadores Nikon podem sempre recorrer das seguintes objectivas Nikon 35mm f/2.8 PC (1962-1980), Nikon 28mm f/4 PC (1975-1980) e Nikon 28mm f/3.5 PC (1980-2006), que embora não possuam a função Tilt possuem a função Shift, e sem recurso a adaptadores.

Objectivas descentráveis 28mm e 35mm da Nikon

Nikon NIKKOR 28mm f/3.5 PC & Nikon NIKKOR 35mm f/2.8 PC (Imagens cedidas pelo Cano Amarelo)

Tilt refere-se a uma movimento em ângulo/inclinação ajustável que afecta a relação do plano da imagem (sensor) com a objectiva alterando a localização do plano de focagem/nitidez, que geralmente é paralela ao plano da imagem. Tal como nas câmeras técnicas, permite-nos criar efeitos de focagem ao reduzir a profundidade de campo, ou melhorar a profundidade de campo através do uso de aberturas de diafragma maiores (menor número de f/stop) e consequentemente tempos de exposição mais rápidos.


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