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A câmera fotográfica tem sido e é, a principal ferramenta do fotógrafo. Diferentes tipos de câmeras são adequadas para diferentes tipos de fotografia, e certas funções e capacidades determinam se uma determinada câmera é adequada para a fotografia de arquitectura.

Não existe uma escolha ideal de câmera para usar em fotografia de arquitectura, e cada sistema possui pontos fortes e fracos. As que melhor devemos conhecer são a câmera técnica (grande formato) e a de 35mm.

35mm

Atualmente, este formato, também designado por full-frame, é na era digital o sistema mais flexível disponível para fotografar arquitectura. No que diz respeito ao tamanho do sensor cumpre todos os requisitos básicos, desempenho do sensor e gama dinâmica, disponibilidade de objectivas grande angulares de excelente qualidade, configurações de exposição manual e automática, relativo baixo custo de funcionamento, etc.

Como desvantagens podemos referir que o uso da totalidade da área projectada significa que os erros da objectiva, que ocorrem na direção das bordas do enquadramento, são mais evidentes, particularmente quando fotografamos com grandes angulares e/ou com aberturas do diafragma maiores (menor número de f/stop). Estes assumem a forma de distorções, vinhetagem, aberrações cromáticas ou perda de nitidez. É assim, do no nosso interesse usarmos objectivas de boa qualidade.

Uma alternativa útil e de baixo custo, passa por adquirir uma DSLR com um sensor menor (APS-C) e desembolsar mais em objectivas de melhor qualidade. Tem o inconveniente de termos de lidar com factores de corte (crop factors), distâncias focais equivalentes e consequentemente, não iremos usufruir do ângulo de visão para o qual as objectivas foram projectadas, em particular das tilt/shift.

Médio Formato

Com uma área de sensor maior comparativamente ao formato 35mm, obtemos melhor resolução, maior detalhe e aumento da qualidade geral da imagem. Em contrapartida, estas vantagens são obtidas com o aumento considerável do preço do equipamento e processamento. Recentemente surgiu no mercado equipamento mais em conta, como a Hasselblad X1D ou a Fujifilm GFX 50S, mas que no entanto requerem a compra de acessórios (p.e. Cambo Actus) e objectivas adicionais. Relativamente às dimensões do formato, no digital anda perto do 6×4.5 cm da pelicula.

Técnica / Grande Formato

Este equipamento altamente especializado é geralmente montado num monocarril ou Flat Bed e são ideais na realização de ajustes de perspectiva e melhorar a composição após a posição da câmera fotográfica ter sido definida.

Os descentramentos verticais, tanto do montante traseiro e do dianteiro, seja ele ascendente (Rise) ou descendente (Fall) permitem controlar o posicionamento vertical da imagem e são os movimentos mais úteis para fotografia de arquitectura. O máximo deslocamento do movimento vertical irá sempre depender da área de cobertura da objectiva usada.

A focagem é feita deslizando o montante traseiro ou dianteiro para a frente ou para trás até achar o foco para um determinado plano do nosso assunto, cuja imagem é projectada invertida (horizontal e verticalmente) no despolido. O obturador deverá estar aberto e algum tipo de pano deve ser usado para obscurecer o despolido. Uma vez focado definimos a abertura do diafragma e tempo de exposição do obturador. Assim que o obturador esteja fechado e armado e a pelicula ou back digital colocado é que estaremos prontos a captar a imagem.

A abordagem puramente manual necessária destas câmeras tornam o seu uso mais demorado do que outros sistemas. Não possuem medição automática da exposição nem autofoco e o seu uso requer alguma habilidade. A medição da exposição está dependente do uso de fotómetros.

Componentes de uma câmera fotográfica de grande formato

Embora não existam sensores digitais para grande formato, existe sempre a possibilidade de adaptar uma câmera fotográfica (DSLR ou médio formato) ou back digital de médio formato. O live view disponível nos backs digitais modernos compensa a ausência de um visor óptico. O recurso a este tipo de equipamento, traduz-se na captação de imagens de elevada qualidade com maior resolução e gama dinâmica associado a um elevado custo de tempo e dinheiro e que alguns fotógrafos terão dificuldade em justificar.

Fabricantes como a Alpa, Arca-Swiss, Cambo e Sinar produzem câmeras de alta qualidade para este mercado, que podem ser combinadas com objectivas técnicas da Schneider-Kreuznach ou Rodenstock.

Conclusão

A melhor câmera fotográfica para o nosso trabalho tem menos a ver com a marca do equipamento e formato do sensor, mas sim com a escolha entre custo, capacidade de criação da imagem e praticabilidade. Enquanto uma câmera técnica é imbatível pela sua capacidade técnica e possibilidade de movimentos em situações mais complicadas, uma 35mm vence pela facilidade de uso, um relativo baixo custo, câmeras de elevado desempenho e a existência de objectivas descentráveis (tilt/shift) que imitam os movimentos das câmeras técnicas.


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